



O Homem Elefante (1980)
Dir.: David Lynch
Em tempos como os de hoje em dia, filmes como “O Homem Elefante”, de David Lynch e brilhantemente protagonizado por por John Hurt, são amplamente necessários para tentar, mesmo que em as vezes em vão, abrir um pouco a mente das pessoas em relação a esse grande mal que atualmente consome grande parte dos homens e mulheres que vivem regados pela essência da beleza e do vale-se-qualquer-coisa para atingir o ápice da essência do narcisismo desenfreado e sem limites – como explicar a morte por questões de vaidade estética?.
É evidente na nossa sociedade, e não apenas nela, qual é a grande preocupação de grande parte das pessoas nestes tempos em que a imagem promove o ser humano até certo ponto nunca antes imaginável. A beleza estética o eleva a categorias extremas de aceitação no meio – claro que não apenas isso ocorre no meio humano mas também, comprovadamente, no meio animal - e podemos assim dizer que, aqueles(as) não dotadas dos atributos físicos necessários – complementados por botox, silicone e cirurgias plásticas – ficam de certa forma excluídos de certos meios, de certas “tribos”., de certos grupos.
Podemos dizer que “O Homem Elefante” trata, de certa forma, da exclusão do indivíduo da sociedade por questões estéticas. Baseado em fatos, na real história de Joseph Merrick que foi vítima de uma doença raríssima – Síndrome de Proteus – na Londres de 1860-90. Merrick teve 90% de seu corpo deformado desde o nascimento por causa da referida doença, foi abandonado por sua mãe e adotado como atração de um circo de horror, sendo humilhado e espancado quase que diariamente. Ninguém sabia, no entanto, ou fingiam não saber, que Joseph não era um animal, não era um elefante. Era um homem muito culto e com altíssimo dom artístico. Que interpretava Romeu com intensidade e beleza única, que amava o teatro e só queria ser alguém “normal” além de ler a bíblia diariamente e buscar nela sua força para viver cada dia.
História de um impacto fulminante, que serve como um “tapa na cara” destas pessoas que vêem na beleza a sua razão de ser e se esquecem que o real valor do ser humano é resguardado em seu interior,