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 O L D  B O Y

Há uma palavra que possa definir o estrondoso filme “Old Boy” de Park Chan-wook: Vingança. Sim, a vingança é o motim, o entrelace e o resultado de toda a história deste filme coreano premiado como grande filme pelo Júri de Cannes. Não pra menos: Old Boy consegue fazer uma mescla de violência underground, humor satírico – a cena da formiga sentada no metrô é simplesmente hilária -  e até mesmo um drama com algumas doses de romance – e o incesto aqui é intensamente utilizado - entre seus protagonistas.

O roteiro se amarra no personagem de Oh Dae-su, sujeito que é seqüestrado após passar algumas horas na delegacia visto estar completamente bêbado, no mesmo dia do aniversário de sua filha de três anos de idade. Aconteceu desta maneira: Após conversar com sua filha numa cabine telefônica, ele a cede para o uso de seu amigo e fica esperando do lado de fora, em meio à chuva que caia incessantemente. Quando seu amigo sai da cabine e chama por Oh Dae-su, eis que nota seu desaparecimento. Isso mesmo, ele simplesmente desaparece do mapa por longos quinze anos, seu tempo de permanência no cativeiro imposto pelo seu desafeto que ele mesmo nem sequer imagina quem possa ser.

Durante esse tempo, seu único contato com o mundo exterior foi através de uma televisão que pra ele serviu como – segundo ele mesmo diz - uma amiga, amante, escola, igreja etc. Foi através dela também que soube que sua mulher fora assassinada e que ele era o principal suspeito, além do suposto fato de sua filha ter ido morar na Suécia com seus pais adotivos. Depois de uma tentativa de suicídio frustrada, ele começa a alimentar um sentimento de vingança, de querer acabar com todos aqueles que acabaram com sua vida. Com isso em mente, Oh Dae-su começa a treinar pesado – com socos na parede - e a cavar um buraco na sua parede para tentar escapar daquele lugar.

Mas eis que chega um momento em que ele é solto. Sem explicações, ele é simplesmente posto dentro de uma mala e largado no alto de um prédio.

Aqui começa a luta de Oh Dae-Su em busca da verdade, em busca das explicações necessárias e do sangue de quem quer que tenha participado de seu seqüestro. E a cada minuto mais e mais acontecimentos surgem de maneira espetacular na tela, até o derradeiro final que me fez lembrar do filme “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” do Charlie Kaufman – caso você tenha assistido ao filme e também ter visto essa vaga semelhança, por favor me fale! - .

 Lutas sangrentas, partes do corpo decepadas, extrações dentárias com o uso de martelo e até mesmo a cena em que nosso anti-herói simplesmente devora alguns polvos vivos são coisas que não estamos acostumados a assistir no cinema “normal”. Torna-se assim um grande diferencial neste genial filme coreano, dirigido de forma brilhante e peculiar por Park Chan-wook e com atuações praticamente perfeitas de todos os seus atores. É um dos melhores filmes do ano, sem dúvida.

 

  



- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 17h30
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