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Um filme falado

 

Aplausos, aplausos e mais aplausos! Não com menor entusiasmo poderia eu, simples fanático admirador do cinema enquanto pura arte, comentar a respeito deste que é um dos melhores filmes já feitos, na minha opinião. O título, mais do que fiel e plausível ao que é realmente o filme, é o modo de já nos preparar para a enxurrada de informações e diálogos sinceros, inteligentes e extremamente bem colocados, diálogos estes que caracterizam uma das melhores cenas sobre a discussão de diversos assuntos cults (desde o relacionamento entre homens e mulheres até o porquê da língua grega não ter sobrevivido de forma mais intensa no mundo contemporâneo) já feitas, envolvendo o comandante do navio (o incrível e admirável John Malkovich), três mulheres bem-sucedidas em suas profissões (Helena, Delfina – a celeste Catherine Denueve - e Francesca) e nossas duas protagonistas. Um diálogo em estonteantes quatro línguas diferentes (português, inglês, francês e italiano) como se todas remetessem a uma única língua comum, à da alma:  a verdadeira babel humana.

A magnífica Leonor Silveira protagoniza a serena Rosa Maria, professora de história da Universidade de Lisboa, que junto de sua linda filha Maria Joana (Filipa de Almeida) partem rumo a Bombaim, na Índia, para encontrarem o marido de Rosa, pai de Maria - piloto da aviação civil -, em um cruzeiro que parte de Lisboa e segue passando pelos grandes lugares históricos como, por exemplo, as grandes pirâmides egípcias, o museu de Santa Sofia em Istambul na antiga Constantinopla, os portos portugueses de onde saíram as caravelas de Vasco da Gama e de D. Sebastião, dentre outros lugares.

Cada passagem, cada lugar, cada momento, merece os comentários sábios de Rosa Maria, que ao longo da viagem vai passando grande parte de seu conhecimento histórico para Maria Joana, esta muito questionadora e muito esperta, em suma, a filha que todos gostariam de ter. O filme, em si, é uma grande lição de história, além de ser uma grande história de amor entre mãe e filha e de possuir uma fotografia excepcional, com ambientes muito bem escolhidos, roteiro muito bem feito, em sua forma mais simples e coerente possível, com um final surpreendente, extremamente surpreendente em que é retratado a ruína da babel humana, ao meu ver, o fim da sabedoria  e da pureza humana e a predominância da objetividade, da infelicidade e da amargura do ser humano, além de demonstrar a falta de meios de salvação.

A perfeição é atingida. Nada mais.

 



- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 21h33
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 A Intérprete

Sempre gostei de filmes que relacionam a arte cinematográfica com a política. Um ótimo exemplo é a obra “Nossa Música”, que deve estar chegando nas locadoras em pouco tempo, que discute o poder da revolução e da guerra. Mas esta nova obra de Sidney Pollack, com boas atuações de Sean Penn e Nicole Kidman, não fica atrás, ou pelo menos, não muito atrás.

Por mais que tenha ouvido críticas negativas sobre o filme, não poderia deixar de assisti-lo, até mesmo pelo fato de que o subjetivismo marca aqui um terreno enorme. Sean Penn e Nicole Kidman, dois dos grandes astros que sempre admirei, juntos, não é sempre que se pode ver. E aconselho a todos que assistam a este filme, mais por terem uma opinião a respeito do que propriamente por se tratar de um filme espetacular, até mesmo pelo fato de não ser uma obra perfeita, mas também nada medíocre.

O roteiro gira em torno de uma ameaça de morte de um chefe de Estado africano, acusado de genocídio, dita na sede da ONU num dialeto africano chamado Khu, linguagem rara, ouvida pela única pessoa que entendia tal dialeto:  Silvia Broome (Nicole Kidman), a intérprete que por acaso voltara à cabine de som para buscar suas coisas quando um sussurro lhe chamara a atenção .Uma coincidência um tanto quanto milagrosa, diga-se se passagem. Mas enfim, isso gera todo um clímax de guerra para os Órgãos Especiais de Segurança dos EUA que, liderados por Keller (Sean Penn), farão de tudo para descobrir quem pode estar por trás desse suposto ato de terrorismo em plena ONU.

É um filme bastante inteligente e consegue prender a atenção do bom espectador, mesmo com algumas reviravoltas rápidas que não nos permitem raciocinar direito. Um filme que ganha muitos pontos positivos pelo simples fato de não misturar a trama de suspense com um caso de amor entre Silvia e Keller, justamente pelo fato de não fazer bem à história. O envolvimento dos dois é bem humano, bem amigável e sincero, acima de tudo.

Bem, tirando a parte da coincidência milagrosa, “A intérprete” é um grande filme, com certeza um dos grandes suspenses políticos que já foram feitos.

 

     



- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 01h17
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