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 As invasões bárbaras

 

Faz mais de um ano que assisti pela primeira ao filme “As Invasões Bárbaras” – Les Invasions Barbares  e sinto-me muito mal por nunca ter escrito nada a respeito deste grandioso filme canadense, ganhador no Oscar de melhor filme estrangeiro do ano de 2004.

Dirigido e escrito por Denys Arcand, que em 1986 havia feito o primeiro filme desta seqüência – O Declínio do Império Americano -, que começara a focar amplamente nos diálogos, discussões e pensamentos sobre os mais controversos temas da vida. Neste, o foco se volta para as relações entre homens e mulheres, o sexo e o desejo. Naquele, as relações entre pais e filhos, as discussões políticas e filosóficas impulsionam a grandiosidade de temas abordados de forma explícita e muitas vezes, implicitamente.

As ideologias políticas são retratadas em sua forma bipolar – Socialismo e Capitalismo –implicitamente expostas como pai e filho, assim como os personagens Rémy e Sébastien, respectivamente, o professor que vive para a filosofia, para os livros, para a História e para o amor, e seu filho, consultor da bolsa de Londres que respira dinheiro e tudo aquilo que move o sistema capitalista.

Notamos que a vida de Rémy, debilitada pelo câncer, assemelha-se bastante com a vida do socialismo, que parece depender do próprio capitalismo para sobreviver. Difícil de crer, não? Difícil e inaceitável.

Mas ao longo dos anos nossas ideologias de esquerda acabaram sendo reprimidas pela expansão avassaladora do capitalismo, desses bárbaros que apenas anseiam pelo lucro e pelo capital. Assim como um câncer, o capitalismo invadiu nossas vidas, nossas casas e nossos sonhos. Invadiu sem pedir a mínima licença e se apossou de tudo quanto fosse possível.

Será possível, um dia, sermos capazes de recuperarmos de volta nossos territórios e nos livrarmos desse câncer de dor insuportável apenas aliviada pelo uso de drogas injetáveis?

Rémy morre ao final do filme, enquanto Sébastien ainda tem uma vida promissora pela frente. Mas tudo e todos têm o seu final e sempre haverá outros bárbaros dispostos a romper com as dinastias dominadoras. E assim, termino questionando-me: quem serão os bárbaros que romperão com a muralha capitalista?

 



- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 19h46
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