



Retorno
Sou puro da terra.
Avisto sereias:
Oceano dos olhos
seus.
Sou espinho da flor,
dos amores não sou
provas de que existo.
Materializo-me em lugares
que nunca serão lembrados.
Na esquina embaraçada
pelas nuvens da chuva da tarde.
Sou apenas aquilo, nenhuma lembrança,
nada que chamem olhos,
nada que se espalhe
pela superfície da sua face.
Termine,
Mas que nunca termine
no encalço fugido do despedaço.
Sou apenas mais uma virtude:
palavras embaralhadas
em emboscada fulminante
onde explodo e emudeço.
- Universo sem som –
Não adivinhe que em tom cinza
seu nome ainda relembre
lembranças passadas e enterradas,
fortes da terra e do túmulo:
ressurreição da dor
Mas ainda seu nome,
apenas uma imagem.