



Metafísica
Vago por entre cisnes e luas,
no deserto lago azul cristal.
Encontro o verde transposto
na imensidão de céus descobertos,
sob o prisma da angústia:
celeiro das lágrimas do mal.
Vago ainda pela força do sol
que reluz todo o espectro da vida.
E vejo lençóis balançando
ao vento.
Sozinhos lençóis amarelos,
que escondem a casa na tarde
naquela tarde de domingo
que era frio, como era.
E não tinha mais ninguém.
- Ninguém.
Gritava a planta da beira da porta,
chorando aos prantos,
morrendo na solidão.
De solidão.
Pela Solidão.
Folhas silvestres ainda regavam a paisagem
e o fim da tarde enunciava a tristeza.
Não era apenas um dia que se acabava.
Não era apenas um dia.
Não era.
Era um mundo que se ia,
esvaia pelo cintilante vazio de tudo.
E nada sobrava pra mim.
Apenas a casa vazia,
sem ninguém.
E aquele lindo lago azul,
que ainda regava esperança
em coração despedaçado
como o meu.
Aquele meu.
Ali.