



Versos Inversos
?...
Crise?
Óbice do universo,
que estreita
versos da poesia.
Que delimita, - vociferando -,
o criador de sua cria.
Sem afagos ou gritos do amor
o poeta segue à tormenta,
beira do precipício
do hiato criativo.
Mal logrados caminhos,
arco-íris sem cor
dessa terra sem magia
que não inspira:
Vácuos do infinito
Inversos da poesia.
?....
Colapso mental.

Menina de Ouro
Como definir o novo longa-metragem dirigido por Client Eastwood, “Menina de Ouro”?
É uma tarefa difícil devido a grande complexidade que o filme exalta em seus 137 minutos que passam vorazmente pelos olhos, com uma emoção singular que faz nossas lágrimas migrarem dos olhos para nossas faces, mesmo sem nosso devido consentimento.
O que nos move a lutar por um sonho? Talvez a idéia de podermos mudar algo em nossas vidas, de buscar novas perspectivas que nos façam realmente felizes, de trazer dignidade para nós. E é isso que busca a garçonete Maggie Fitzgerald (Hillary Swank), que com 31 anos, ainda anseia por se tornar uma campeã no boxe. Com esse sonho em mente, ela paga por seis meses adiantados para o uso da academia do treinador Frankie Dunn (Clint Eastwood), sujeito que tinha apostado todas as suas fichas no lutador Willie, que o largou para se afiliar a um empresário/treinador melhor, em sua concepção. E isso realmente abalou Dunn, ainda mais pelo fato de não ter notícias de sua filha e não conseguir se perdoar por diversos acontecimentos do seu passado e por isso, há 23 anos ele freqüenta a igreja, mesmo questionando a presença de Deus. Maggie começa a treinar sem o consentimento de Dunn, que não se vê treinando uma mulher para o boxe. Mas mesmo assim, ela segue o treinamento, com os conselhos de Scrap (Morgan Freeman), ex-lutador cego que já foi treinado por Dunn e agora ajuda na manutenção da academia e parece ser o grande pai de Danger, um jovem com problemas mentais abandonado pela família que mesmo sem conseguir dar um soco em ninguém, espera ser um campeão mundial.
Depois de muita insistência por parte de Scrap, Dunn resolve treinar Maggie, deixando-a em estado de êxtase, embora ela já seja muito velha para começar a treinar boxe. Mas a determinação e o espírito batalhador dela são amplamente notáveis. Treinando dia e noite, na academia ou na lanchonete, Maggie vai melhorando cada vez mais, sempre questionando tudo o que Dunn fala, para aprender mais profundamente todos os seus ensinamentos. E isso faz dela uma pupila muito especial para o treinador.
O que segue adiante é o início da carreira da boxeadora, que não teme a nenhuma adversária. Seus sonhos são maiores do que qualquer outra mulher que queira dividir o ringue com ela. Com agressivos nocautes, vai derrubando todas as adversidades da sua vida até ter as condições de comprar uma casa para o que sobrou de sua família, sua mãe e sua irmã (seu pai havia morrido). Mas essa mãe sem coração não lhe dá o mínimo valor.
Sem se deixar abalar muito, Maggie segue seu rumo até a consagração: seu “nome” é gritado pela multidão que acompanha suas lutas e assim ela vai conquistando a dignidade que ela tanto procurava. Até seu derradeiro final. A partir de agora, parece que um novo filme começa. O questionamento da vida e da morte passam a tomar conta do filme e a emoção toma conta de todos. Não irei nem comentar, vocês têm que ter o prazer de assistir essa obra prima de Eastwood. Esse filme, principalmente a personagem de Hillary Swank, parece ficar preso na mente pois não queremos esquecê-lo. Um filme maravilhoso que merece receber o Oscar nas seguintes categorias: Melhor filme, melhor atriz, melhor diretor, melhor ator coadjuvante (Morgan Freeman) e melhor roteiro original. Um dos melhores filmes do ano, sem dúvida alguma.

Petrificado, o Nada
Pedra que não rola
fica lá parada.
Desfiladeiro a um passo
ali no meio do nada.
Nada? Medo.
Obscura cinza da areia morta,
praias secas sem mar
e os campos sem horta.
Caminhos sem flores,
mas também sem espinhos?
O sol que branda, mata
a vida no horizonte:
Horizonte sozinho.
Pedra que não dura
mil anos ou o amanhecer.
Nem pedras sobrevivem
à solitude dos dias,
do tempo infiel e malévolo
que dizima...
Pedras!
pedras nuas,
São luas, mas sem brilho
Destino ferido
Da natureza em conflito
Ali no meio do nada.
Nada? Tudo.

Olhos rosa-quebrados
Formiguinha pequena,
com olhos feridos,
Que a vida afugenta
enquanto caminhas.
Corredor de um rio,
uma gota na folha
quebrada.
Espatifada no chão,
delicada paixão.
Cuida, formiguinha,
de sua flor abandonada,
ela assim poderá crescer
e um dia formar estrada.
O verde é verde,
mistura-se com o sangue
da rosa calada.
Gigantes não enxergam:
Apenas pisam.
Seguem caminho
enquanto trovejam.
Não vêem, não vêem
o universo abaixo
de seu olhos.
Olhos quebrados,
da flor delicada,
que espera, adocicada,
pela salvação, pela vida
por sua formiguinha amada.
Quem tem medo de Virginia Woolf?
Who’s afraid of Virginia Woolf?
Virginia Woolf...Virginia Woolf.
Se você é daqueles que apreciam filmes recheados de diálogos charmosos, inteligentes, provocativos, sensuais e às vezes, sem rumo, este filme é para ser devorado e digerido de uma forma lenta e deliciosa, mas com um tom amargo também. Elizabeth Taylor e Robert Burton protagonizam esta história sobre o estado de insanidade, malevolência e perturbação do casal George e Martha, que ganhou cinco estatuetas do Oscar em 1966. George, professor de história desiludido, é marido da filha do reitor da faculdade, o tal homem de aproximados duzentos anos de idade! Bem, convenhamos que a sátira e a ironia reinam neste maravilhoso filme que tem a direção de Mike Nichols, o mesmo do altamente perturbador “Closer – Perto Demais”, com o Jude Law, Julia Roberts, Clive Owen e Natalie Portman, estes dois últimos que fazem interpretações praticamente perfeitas neste filme que busca romper as perfeições do amor. Belíssimo!
Mas estou falando de “Quem tem medo de Virginia Woolf”. E assim sendo, tenho que ressaltar a competência de interpretação do outro casal do filme, George Segal como Nick e Sandy Dennis como Honey, um casal que é convidado por Martha pra passar uma noite com ela e George em sua casa.
A conversa é o ponto forte do filme, o ponto do amor, da dor e da morte. Começando num clima de amizades, com elogios recíprocos e com a gentileza habitual, os casais vão se envolvendo e começando a trocar farpas, discorrendo sobre seus problemas, suas ambições, suas vidas, suas mentiras e suas verdades. Mas a verdade, algumas vezes, é muito perturbadora e desestabiliza toda uma situação, assim como os “Brandies”, os uísques, os filhos e os abortos.
Um filme que indaga, na minha opinião, o valor da verdade, da ilusão e da realidade. Um filme memorável e que DEVE ser assistido, até para contemplarmos uma das mais belas atuações da maravilhosa Elizabeth Taylor e da geniosa Sandy Dannis. Faça um favor a si mesmo e assista a esse filme.


Menina Beija-Flor
A menina vê o pouco restante,
nada mais do que sobras.
Holocausto interminável,
almas que cismam achar
que a vida ainda lhes pertence.
Mas diga, menina minha,
O que sentes?
Na solitude do cais,
neste mar infinito sem vida,
nesta terra do nunca, de nada será
enquanto alguém por este mundo não olhar.
Cabeças sem corpos, estrelas sem céu.
O horizonte é tão negro quanto
o fundo da alma de irmãos que lutam
entre si e deixam ali, escusas de amor.
Mas a menina recolhe este amor
como se fosse ela:
Beija-flor.
Melífera dos Andes descalços,
a menina caça o mel das colméias da paz.
A paz que necessitam estes mundos
de diabos e anjos,
irmãos contra irmãos.
Doce menina, rego tua vida como se fosse
aquelas lindas flores silvestres do meu campo.
Entrelaçamos as mãos, menina, e partiremos
em busca da solução da vida enquanto morremos
na busca incessante por novos mundos:
Onde homens não são deuses,
mas apenas pequenos pedaços
de algum coração por ai jogado.