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Influência da brisa

 

Folha livre, solta do outono,

andante dos inversos do tempo.

 - Sinta folha , brisa do sol que se cobre:

penumbra do escuro que nos sobra,

luz abundante de outrora,

eclipse eterno do momento relicário.

Distante secreto, verdades do sudário,

que nos limpa o suor do cansaço.

Da vida que insiste em se opor à Vênus,

sem portar do cais do amor.

Brisa leve, brisa fria sem cor,

escrava és tu brisa, seja o que for.

Do infinito dos ímpetos extremados:

Ecnéfias, ciclones e tornados.

Tu és ainda brisa

no meio dos ventos revoltados.

Enciumado com poderio tamanho:

Um ainda estanho

nas jazidas de ouro valorados.

Brisa dos céus eternos,

das estrelas dos sonhos dos deuses

da realidade infestada de chagas dos homens.

Não sei se esta brisa é eterna ou não,

mas o agora pode ser finito? Não!

Encontro da ventania exagerada

com a fome de paixão.

Encontro com olhos cegos o amor,

nestas brisas, em dia de eclipse lunar,

não sei se consigo esperar

pelo infinito momento de amar.

Que se não é agora

não há que se falar

que a brisa cessou,

o rarefeito não foi nem vil.

pois o dito amor

nunca existiu.



- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 20h50
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Primavera

 

Tragos inconscientes,

fumaças de sangue casam com o ar;

ar puro que respiram os versos secos,

soltos num universo inconstante,

sedentos, cansados e infinitos,

no fulcro do chão que não existe:

terra do açoite sísmico.

Na minha mente ainda são minguantes,

como a lua do silente instante:

Eis que não enxergo nada mais;

Sou escravo represado em lagoas ancestrais;

Sou fugitivo da guerra de tempos infernais;

Sou cor, sou sol, sou morte, sou tempo.

O bem-me-quer, malmequer:

sou vida margarida.

Há dias que a natureza enfurece ventos,

sou borboleta ciente das imensas feridas,

que lhe tiram a liberdade faminta.

 - Ódio, rancor e gemidos da dor -

O tudo é incompleto e, por vezes, vazio,

no corpo que não sente

incêndio que queima lentamente

 

                                     [continua no próximo post]



- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 13h54
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Devaneios enlouquecidos do poeta,

que mira sem olhos o horizonte insolúvel:

A noite que é ele.

A quimera dos tetos de estrela,

da escuridão de beiras estreitas,

penhasco e instante fúnebre ao poeta,

equinócio sem poesia que lhe fere.

 

No quarto circular as paredes

não existem realmente.

Sou poesia, sonho e esperança,

ainda que reluza nobre vingança.

Momento: sou instante embora distante

 - Resquícios da primavera incessante -



- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 13h53
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