


Influência da brisa
Folha livre, solta do outono,
andante dos inversos do tempo.
- Sinta folha , brisa do sol que se cobre:
penumbra do escuro que nos sobra,
luz abundante de outrora,
eclipse eterno do momento relicário.
Distante secreto, verdades do sudário,
que nos limpa o suor do cansaço.
Da vida que insiste em se opor à Vênus,
sem portar do cais do amor.
Brisa leve, brisa fria sem cor,
escrava és tu brisa, seja o que for.
Do infinito dos ímpetos extremados:
Ecnéfias, ciclones e tornados.
Tu és ainda brisa
no meio dos ventos revoltados.
Enciumado com poderio tamanho:
Um ainda estanho
nas jazidas de ouro valorados.
Brisa dos céus eternos,
das estrelas dos sonhos dos deuses
da realidade infestada de chagas dos homens.
Não sei se esta brisa é eterna ou não,
mas o agora pode ser finito? Não!
Encontro da ventania exagerada
com a fome de paixão.
Encontro com olhos cegos o amor,
nestas brisas, em dia de eclipse lunar,
não sei se consigo esperar
pelo infinito momento de amar.
Que se não é agora
não há que se falar
que a brisa cessou,
o rarefeito não foi nem vil.
pois o dito amor
nunca existiu.

Primavera
Tragos inconscientes,
fumaças de sangue casam com o ar;
ar puro que respiram os versos secos,
soltos num universo inconstante,
sedentos, cansados e infinitos,
no fulcro do chão que não existe:
terra do açoite sísmico.
Na minha mente ainda são minguantes,
como a lua do silente instante:
Eis que não enxergo nada mais;
Sou escravo represado em lagoas ancestrais;
Sou fugitivo da guerra de tempos infernais;
Sou cor, sou sol, sou morte, sou tempo.
O bem-me-quer, malmequer:
sou vida margarida.
Há dias que a natureza enfurece ventos,
sou borboleta ciente das imensas feridas,
que lhe tiram a liberdade faminta.
- Ódio, rancor e gemidos da dor -
O tudo é incompleto e, por vezes, vazio,
no corpo que não sente
incêndio que queima lentamente
[continua no próximo post]
Devaneios enlouquecidos do poeta,
que mira sem olhos o horizonte insolúvel:
A noite que é ele.
A quimera dos tetos de estrela,
da escuridão de beiras estreitas,
penhasco e instante fúnebre ao poeta,
equinócio sem poesia que lhe fere.
No quarto circular as paredes
não existem realmente.
Sou poesia, sonho e esperança,
ainda que reluza nobre vingança.
Momento: sou instante embora distante
- Resquícios da primavera incessante -