


Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
Eu assisti a esse filme na semana passada por um simples motivo: Charlie Kaufman. Pra quem não o conhece, ele é um dos melhores roteiristas dos últimos tempos e inovou os métodos pragmáticos de elaboração roteirista contemporânea. Charlie Kaufman tem hoje, como roteirista, uma posição única no cenário do cinema industrial norte-americano, um estatuto que, a princípio, caberia somente a dramaturgos. Ainda que não se possa esperar de um filme seu a mesma experiência estética proporcionada por uma peça de Mac Wellman ou Caryl Churchill (só para citar dois autores contemporâneos de língua inglesa a quem é atribuída essa qualidade algo romântica e, hoje, um pouco obscura de originalidade), o fato é que os seus roteiros têm, sim, uma marca distintiva que, de uma forma ou de outra, sempre surpreende o espectador. Como principais filmes desse incrível roteirista nós tempo Adaptação (um filmaço!!), com o Nicolas Cage e o famoso “Quero ser John Malkovich”, ambos com a direção do excelente diretor Spike Jonze.
Bem, “Brilho Eterno...” não contou com a direção de Spike Jonze, mas tem Michel Gondry nesse posto e ele não deixa a desejar, muito pelo contrário. E o elenco também é ótimo, temos o Jim Carrey naquele que é na minha opinião, a sua consagração na arte dramática, mas claro, ele não consegue ser chato e acabamos rindo com algumas de suas graças. A Kate Winslet (a Rose do Titanic) também faz um dos seus melhores papéis. Temos também o Elijah Wood (o frodo do Senhor dos Anéis) e a Kirsten Dunst (a Mary Jane do Homem Aranha), esta sim decepciona um pouco até porque não atua muito bem, não tem muita mobilidade dramática.
Falando do filme em si, a história se baseia no romance entre Joel (Carrey) e Clementine (Winslet), começando no primeiro encontro dos dois e no descobrimento de sua paixão. Bem, esqueci de dizer que esse filme é do tipo que te lança uma cena e depois muda para uma outra totalmente diferente, como se fosse de outra história, mas com os mesmo personagens, ou seja, mescla o real com a fantasia e cabe a nós ficarmos bem atentos e percebermos cada detalhe. Esse filme é feito de detalhes também. O “boom” da história é quando Joel descobre que Clementine resolveu apagar de sua memória tudo o que a fizesse lembrar de Joel, mas porque? Nem Joel sabia ao certo. Com isso ele também se arrisca a ir à clínica para apagar suas lembranças de Clementine e nesta tentativa, durante o procedimento, a consciência de Joel luta para não deixar apagarem suas lembranças, pois ele não quer esquecer Clementine e com isso acaba modificando sua memória, incluindo-a em momentos de sua vida em que ele nunca esteve presente. É uma história de amor bem alternativa envolvendo um belo drama e uma bela comédia também.
Vale muito a pena ser visto. Mas preste atenção!

Jogo de Sedução
Desde semana passada quero escrever sobre esse filme que eu vi na sexta retrasada e me surpreendeu demais, o roteirista desse filme é simplesmente um gênio! Parece até o Charlie Kaufman que fez os roteiros dos filmes “Adaptação” e “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”, dois filmes que eu pretendo comentar pois valem muito a pena.
Pra começar falando de “Jogo de Sedução”, vale comentar do título que pra mim é a única coisa mal feita, aliás, mal traduzida. No original o filme se intitula “Dot the i”, ou seja, “Pingo no i”, que seria a melhor tradução possível pelo contexto do filme. Bem, falando agora propriamente deste eu acho sinceramente que a escolha de Gael Garcia Bernal e de James D’Arcy foram certeiras. Os dois atores são ótimos e Bernal vem de uma série de filmes muito bons, o que já merece destaque, como o belíssimo filme “Diários de Motocicleta” em que interpreta Ernesto Guevara.
Vou falar só um pouco do filme pois não posso entrar em detalhes visto que esse é o tipo de filme que não podemos contar o segredo e o final porque são surpreendentes e deixam qualquer um embasbacado.
O roteiro do filme se baseia em três personagens principais: Carmem (Natalia Verbeke), Kit (Gael Garcia Bernal) e Barnaby (James D’arcy). Carmem é uma espanhola que sofreu muito em seu país natal e que guarda muitos segredos em relação ao seu passado e é muito impaciente e agitada. Ela dançava em uma boate quando Barnaby a viu pela primeira vez acarretando num grande interesse por sua parte. Os dois se conhecem, ela vai morar em sua casa e em poucos meses ele a pede em casamento. Ela, mesmo relutante, aceita por achar que sua vida pode melhorar bastante visto que Barnaby é um homem rico, inteligente e bonito. Na despedida de solteira de Carmem ela conhece Kit, um ator – carioca – que foi tentar a vida em Londres e está desempregado, ou pelo menos estava. Numa dita tradição francesa, Carmem precisa escolher o homem mais bonito dentro do restaurante e dar-lhe um beijo. Ela escolhe Kit e o simples beijo se torna em algo muito mais complexo que coloca em dúvidas os sentimentos dela por Barnaby. Parece uma comédia romântica não é? Enganou-se profundamente. É um dos filmes mais maquiavélicos dos últimos tempos que nos faz assistir até os créditos finais do filme pra saber se vai acontecer mais alguma coisa, pois eu nunca assisti a um filme com tantas reviravoltas assim. Esse filme me lembra o filme “Garotas Selvagens” com a Neve Campbell, um ótimo filme por sinal.
Espero que vocês assistam “Jogo de Sedução” e confiram por si só a nova tendência do cinema americano, ou seja, o filme que mistura passado, presente e futuro. Que faz o passado voltar no meio de filme e de dar uma nova concepção do presente assim como “Efeito Borboleta”, “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” e “Amnésia”.
Assista, entenda e comente.
