Sempre gostei de filmes que relacionam a arte cinematográfica com a política. Um ótimo exemplo é a obra “Nossa Música”, que deve estar chegando nas locadoras em pouco tempo, que discute o poder da revolução e da guerra. Mas esta nova obra de Sidney Pollack, com boas atuações de Sean Penn e Nicole Kidman, não fica atrás, ou pelo menos, não muito atrás.
Por mais que tenha ouvido críticas negativas sobre o filme, não poderia deixar de assisti-lo, até mesmo pelo fato de que o subjetivismo marca aqui um terreno enorme. Sean Penn e Nicole Kidman, dois dos grandes astros que sempre admirei, juntos, não é sempre que se pode ver. E aconselho a todos que assistam a este filme, mais por terem uma opinião a respeito do que propriamente por se tratar de um filme espetacular, até mesmo pelo fato de não ser uma obra perfeita, mas também nada medíocre.
O roteiro gira em torno de uma ameaça de morte de um chefe de Estado africano, acusado de genocídio, dita na sede da ONU num dialeto africano chamado Khu, linguagem rara, ouvida pela única pessoa que entendia tal dialeto: Silvia Broome (Nicole Kidman), a intérprete que por acaso voltara à cabine de som para buscar suas coisas quando um sussurro lhe chamara a atenção .Uma coincidência um tanto quanto milagrosa, diga-se se passagem. Mas enfim, isso gera todo um clímax de guerra para os Órgãos Especiais de Segurança dos EUA que, liderados por Keller (Sean Penn), farão de tudo para descobrir quem pode estar por trás desse suposto ato de terrorismo em plena ONU.
É um filme bastante inteligente e consegue prender a atenção do bom espectador, mesmo com algumas reviravoltas rápidas que não nos permitem raciocinar direito. Um filme que ganha muitos pontos positivos pelo simples fato de não misturar a trama de suspense com um caso de amor entre Silvia e Keller, justamente pelo fato de não fazer bem à história. O envolvimento dos dois é bem humano, bem amigável e sincero, acima de tudo.
Bem, tirando a parte da coincidência milagrosa, “A intérprete” é um grande filme, com certeza um dos grandes suspenses políticos que já foram feitos.
Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 01h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
As invasões bárbaras
Faz mais de um ano que assisti pela primeira ao filme “As Invasões Bárbaras” – Les Invasions Barbares e sinto-me muito mal por nunca ter escrito nada a respeito deste grandioso filme canadense, ganhador no Oscar de melhor filme estrangeiro do ano de 2004.
Dirigido e escrito por Denys Arcand, que em 1986 havia feito o primeiro filme desta seqüência – O Declínio do Império Americano -, que começara a focar amplamente nos diálogos, discussões e pensamentos sobre os mais controversos temas da vida. Neste, o foco se volta para as relações entre homens e mulheres, o sexo e o desejo. Naquele, as relações entre pais e filhos, as discussões políticas e filosóficas impulsionam a grandiosidade de temas abordados de forma explícita e muitas vezes, implicitamente.
As ideologias políticas são retratadas em sua forma bipolar – Socialismo e Capitalismo –implicitamente expostas como pai e filho, assim como os personagens Rémy e Sébastien, respectivamente, o professor que vive para a filosofia, para os livros, para a História e para o amor, e seu filho, consultor da bolsa de Londres que respira dinheiro e tudo aquilo que move o sistema capitalista.
Notamos que a vida de Rémy, debilitada pelo câncer, assemelha-se bastante com a vida do socialismo, que parece depender do próprio capitalismo para sobreviver. Difícil de crer, não? Difícil e inaceitável.
Mas ao longo dos anos nossas ideologias de esquerda acabaram sendo reprimidas pela expansão avassaladora do capitalismo, desses bárbaros que apenas anseiam pelo lucro e pelo capital. Assim como um câncer, o capitalismo invadiu nossas vidas, nossas casas e nossos sonhos. Invadiu sem pedir a mínima licença e se apossou de tudo quanto fosse possível.
Será possível, um dia, sermos capazes de recuperarmos de volta nossos territórios e nos livrarmos desse câncer de dor insuportável apenas aliviada pelo uso de drogas injetáveis?
Rémy morre ao final do filme, enquanto Sébastien ainda tem uma vida promissora pela frente. Mas tudo e todos têm o seu final e sempre haverá outros bárbaros dispostos a romper com as dinastias dominadoras. E assim, termino questionando-me: quem serão os bárbaros que romperão com a muralha capitalista?

- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 19h46
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Muros
Como pôde, por mil raios,
Como pôde?
Aliviar-me de dor insuportável
Com tuas breves carícias
Um canto, um olhar que me suaviza
Veemente seu
Sorriso meigo
O caminho que transcende fronteiras
E aquela que se diz como maior
Infinitos que, por acaso,
Não se cruzam.
Fronteira que separa dois corações
Dois amores
Dois desconhecidos
Mas mesmo assim, fujo de mim
Maravilho-me na sua poesia
E não mais me esqueço
Quem eu, por momento silente e eterno,
Fui.
- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 20h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]

Retorno
Sou puro da terra.
Avisto sereias:
Oceano dos olhos
seus.
Sou espinho da flor,
dos amores não sou
provas de que existo.
Materializo-me em lugares
que nunca serão lembrados.
Na esquina embaraçada
pelas nuvens da chuva da tarde.
Sou apenas aquilo, nenhuma lembrança,
nada que chamem olhos,
nada que se espalhe
pela superfície da sua face.
Termine,
Mas que nunca termine
no encalço fugido do despedaço.
Sou apenas mais uma virtude:
palavras embaralhadas
em emboscada fulminante
onde explodo e emudeço.
- Universo sem som –
Não adivinhe que em tom cinza
seu nome ainda relembre
lembranças passadas e enterradas,
fortes da terra e do túmulo:
ressurreição da dor
Mas ainda seu nome,
apenas uma imagem.
- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 23h33
[ ]
[ envie esta mensagem ]

Metafísica
Vago por entre cisnes e luas,
no deserto lago azul cristal.
Encontro o verde transposto
na imensidão de céus descobertos,
sob o prisma da angústia:
celeiro das lágrimas do mal.
Vago ainda pela força do sol
que reluz todo o espectro da vida.
E vejo lençóis balançando
ao vento.
Sozinhos lençóis amarelos,
que escondem a casa na tarde
naquela tarde de domingo
que era frio, como era.
E não tinha mais ninguém.
- Ninguém.
Gritava a planta da beira da porta,
chorando aos prantos,
morrendo na solidão.
De solidão.
Pela Solidão.
Folhas silvestres ainda regavam a paisagem
e o fim da tarde enunciava a tristeza.
Não era apenas um dia que se acabava.
Não era apenas um dia.
Não era.
Era um mundo que se ia,
esvaia pelo cintilante vazio de tudo.
E nada sobrava pra mim.
Apenas a casa vazia,
sem ninguém.
E aquele lindo lago azul,
que ainda regava esperança
em coração despedaçado
como o meu.
Aquele meu.
Ali.
- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 18h48
[ ]
[ envie esta mensagem ]

Folha verde, verde folha.
Tú, linda e ainda cor dos abismos impecáveis,
regala suspiros, desejos e medos.
Presente dos arco-íris imperdoáveis.
Entre escarlates aconchegantes e renascentes,
tu és cor de brilho intenso e jovial.
E eu que não sou nada sem tu,
sou veia rasgada que despeja vida pelo rio,
sou cor de nada, cor sem cor:
incolor.
Folha sem brilho, quase morta-flor.
Sou o que nunca pudera,
o que nunca quisera:
- sou o que sou sem tu. –
Verde-folha, folha-verde-folha.
Fuja de seus arcos celestes,
mergulhe em minhas secas veredas
e despeje-me luz, verde-cor-luz,
luz-folha-vida.
_V i d a._
Viventes do limpo, sem pecados.
Verde, tu és minha cor,
então mergulha em mim
com suas asas de amor
e que sejamos, por assim adiante
e sempre:
Verde-folha-eterna.
- Postado por: ««®afæ£ de AlmEida»» às 11h22
[ ]
[ envie esta mensagem ]